09/03/2012 - 17h24 - Plenário - Votações
Agência Senado
Começa a correr na próxima terça-feira (13) o prazo para discussão em primeiro turno da PEC 40/11,
uma das propostas mais polêmicas da Reforma Política. De autoria do
senador José Sarney, a PEC altera o art. 17 da Constituição Federal,
para permitir coligações eleitorais apenas nas eleições majoritárias (para presidente da República, governador e prefeito).
O objetivo da proposta seria evitar as “uniões passageiras ou por mera conveniência” estabelecidas no período eleitoral para as eleições proporcionais, geralmente sem qualquer afinidade entre os partidos coligados no que diz respeito ao programa de governo ou à ideologia.
Essas coligações efêmeras, justifica o autor, têm por objetivo,
geralmente, aumentar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na
televisão de partidos maiores e viabilizar a conquista de um número
maior de cadeiras nas Casas Legislativas por partidos menores, ou ainda
permitir que esses partidos menores alcancem o quociente eleitoral.
A PEC 40/11 teve como relator
na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) o senador Valdir
Raupp (PMDB-RO). Tramita em conjunto com a PEC 29/2007, do senador
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), considerada prejudicada pelo relator.
Ao tratar do mérito da proposta, Valdir Raupp observou que a medida
contribuirá para o fortalecimento dos partidos políticos e para a
transparência na representação política, já que, com o fim das coligações nas eleições proporcionais, o voto dado no candidato de um determinado partido não poderá contribuir para a eleição de candidato de outra agremiação.
À PEC 40/11 foram oferecidas três emendas do senador Antônio Carlos
Valadares (PSB-SE), todas com a finalidade de criar a chamada Federação
dos Partidos. De acordo com essa proposta – rejeitada pelo relator,
que entendeu que ela ia de encontro ao espírito da PEC –, dois ou mais
partidos poderiam se reunir em uma federação, e, após a sua constituição
e respectivo registro perante o Tribunal Superior Eleitoral (STF),
atuar como se fossem uma única agremiação partidária, devendo permanecer
a ela filiados, no mínimo, por três anos, observada a fidelidade
partidária quanto ao desligamento de seus integrantes com mandato
eletivo.
Quociente eleitoral
Durante a tramitação das PECs na CCJ, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) apresentou voto em separado
pela rejeição das propostas. Ele argumentou que proibir as coligações é
restringir o direito de livre associação, garantido pela Constituição
aos partidos políticos.
De acordo com Inácio Arruda, sem as coligações, não apenas os
partidos pequenos, mas também os médios e até mesmo alguns dos grandes
teriam dificuldades para atingir o quociente eleitoral em muitos estados. Segundo ele, em dez das 27 unidades federativas, esse percentual nas eleições para a Câmara dos Deputados chega a 12,5% dos votos válidos; em outras nove, fica entre 5,5% e 11%.
Assim, levando em consideração os votos obtidos nas últimas eleições, o senador afirmou em seu parecer que, sem coligação nas eleições proporcionais, no estado de Roraima, apenas um partido teria atingido o quociente eleitoral no último pleito. Em mais seis estados e no Distrito Federal, somente dois partidos.
O voto do senador foi derrubado em votação nominal na comissão, por 14 votos a 3.
Discussão e votação
A PEC do fim das coligações nas eleições proporcionais
deverá ser votada definitivamente em Plenário no dia 21 de março, em
sessão exclusiva para tratar de matérias da Reforma Política, conforme
acordo feito pelos senadores.
Antes disso, a proposta deverá passar por cinco sessões de discussão,
a partir da próxima terça-feira, votação em primeiro turno e três
sessões de discussão em segundo turno. O processo poderá ser adiado caso
a matéria receba emendas de Plenário, que precisarão ser analisadas
pela CCJ.
A PEC será considerada aprovada se obtiver, em ambos os turnos, três
quintos dos votos dos membros do Senado. Nesse caso, ela será enviada à
Câmara dos Deputados.
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