Jorge Viana (C): o Brasil pode compatibilizar produtividade com respeito ambiental
O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, lembrou que a instituição foi criada "em um tempo no qual faltava gente especializada no campo e o Brasil ainda precisava adaptar a tecnologia externa antes de aproveitá-la".
– Vínhamos de séculos de dependência tecnológica, de importação de conhecimentos e de ideias – assinalou.
Lopes contou que, em um dos primeiros debates envolvendo a empresa, havia a crítica de que não se devia investir na pesquisa de "cultivos internacionais", como o da soja, para não prejudicar cultivos genuinamente nacionais como feijão e mandioca. Atualmente, o Brasil disputa com os Estados Unidos o posto de maior produtor e exportador mundial de soja.
Ao apontar a relevância da Embrapa para o aumento da produtividade no campo, a senadora Ana Amélia (PP-RS) ressaltou que a produção nacional de alimentos era de pouco mais de 46 milhões de toneladas há 37 anos, enquanto hoje supera as 180 milhões de toneladas. Ela observou que, nesse período, a área plantada cresceu cerca de 40%, em contraste com um aumento de quase 400% na produção de alimentos.
Assim como Pedro Simon (PMDB-RS), senador que já foi ministro da Agricultura, Ana Amélia declarou que a história da agropecuária nacional pode ser dividida em "antes da Embrapa" e "depois da Embrapa". Ela também apontou o reconhecido papel do agronegócio na balança comercial brasileira – o setor é superavitário na comparação entre exportações e importações.
Fornecedor mundial
Outro ponto, ressaltado por senadores como Jorge Viana (PT-AC), que
presidiu a sessão, foi a possibilidade – potencializada pelas pesquisas
da Embrapa – de o país se consolidar como um importante fornecedor de
alimentos para o resto do mundo. Pedro Simon fez avaliação semelhante ao
frisar que a empresa gera conhecimento para a agropecuária, "o que nós
temos de mais importante no cenário mundial".Jorge Viana avalia que Europa e Estados Unidos enfrentam limitações para expandir sua produção, seja por meio da área plantada ou pelo aumento da produtividade, ao contrário do que acontece no Brasil. O senador pelo PT do Acre vem afirmando – desde as discussões que resultaram no novo Código Florestal – que o país pode despontar como uma "potência na produção de alimentos" que protege o meio ambiente.
Congresso e Embrapa
Ao lembrar a importância do Legislativo para a instituição que
preside, Maurício Lopes destacou a atuação do Senado ao "reconhecer as
necessidades orçamentárias essenciais à manutenção e modernização dos
recursos operacionais da empresa". Ele também disse que as comissões
temáticas do Senado permitem à Embrapa fornecer informações e
conhecimentos que servem de subsídios para políticas públicas.- O Congresso precisa ajudar o país a desenvolver novos arranjos institucionais, mais ágeis e flexíveis, para que os ativos tecnológicos e de conhecimento do setor público possam rapidamente chegar ao mercado, beneficiando a todos - disse.
Projeto de lei
O presidente da Embrapa aproveitou a cerimônia para defender a aprovação do PLS 222/2008,
do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que permite a abertura de
capital da empresa e cria uma subsidiária, a EmbrapaTec. Segundo
Maurício Lopes, a EmbrapaTec "terá por finalidade dinamizar a relação da
Embrapa com o setor produtivo e com os mercados de inovação
tecnológica". O projeto aguarda votação na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania do Senado (CCJ).Entre os presentes na cerimônia estavam Eliseu Alves (pesquisador da Embrapa que participou da sua fundação e a chefiou, como diretor-presidente, entre 1979 e 1985) e Alysson Paulinelli, ministro da Agricultura entre 1974 e 1979. Também homenagearam a empresa, por meio de pronunciamentos em Plenário, os senadores Ruben Figueiró (PSDB-MS), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Waldemir Moka (PMDB-MS) e Valdir Raupp (PMDB-RO).
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ass. Angelo Roncalli
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