22/03/2012 12:53
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e os governadores das 27
unidades federativas vão participar de uma audiência pública na Câmara,
no dia 19 de abril, para discutir o endividamento dos estados. A
realização da audiência é o primeiro ato definido pelo grupo de trabalho
criado pelo presidente da Casa, Marco Maia, para analisar a dívida dos
estados com a União. De acordo com o coordenador do grupo, deputado
Cândido Vaccarezza (PT-SP), ainda neste semestre os parlamentares
deverão apresentar uma proposta para reduzir o peso do pagamento das
dívidas sobre as contas estaduais, e liberar recursos para
investimentos. No último dado disponibilizado pela Secretaria do Tesouro
Nacional, de agosto de 2011, as dívidas renegociadas dos estados
somavam R$ 388,4 bilhões.
O grupo de trabalho é formado por 13 deputados. Marco Maia optou por
montar uma equipe suprapartidária, para evitar a politização do assunto e
facilitar a discussão. Esse espírito foi ressaltado pelos integrantes.
“Esse é um trabalho coletivo para uma questão de estado que não tem
vinculação partidária”, disse Vaccarezza. Na mesma linha, Vitor Penido
(DEM-MG) avisou que “não se pensará em partido político, pois todos
estarão discutindo o Brasil”. Os deputados destacaram que o grupo vai
entrar também na discussão da dívida dos municípios.
Ambiente econômico
Esta não é a primeira vez que a Câmara debate o endividamento dos estados. Entre 2009 e 2010 a Casa abrigou uma CPI para investigar a dívida do setor público. Criada por sugestão do Psol, a CPI propôs, ao final dos trabalhos, projetos para atenuar a situação fiscal dos estados. As propostas acabaram não tendo prosseguimento. Desta vez, Vaccarezza acredita em avanços. Segundo ele, o cenário econômico do País é bem diferente de 1997, quando a Lei 9.496 foi sancionada. Essa lei deu as bases para o refinanciamento das dívidas.
Esta não é a primeira vez que a Câmara debate o endividamento dos estados. Entre 2009 e 2010 a Casa abrigou uma CPI para investigar a dívida do setor público. Criada por sugestão do Psol, a CPI propôs, ao final dos trabalhos, projetos para atenuar a situação fiscal dos estados. As propostas acabaram não tendo prosseguimento. Desta vez, Vaccarezza acredita em avanços. Segundo ele, o cenário econômico do País é bem diferente de 1997, quando a Lei 9.496 foi sancionada. Essa lei deu as bases para o refinanciamento das dívidas.
Um segundo fator é que a queda da taxa de juros Selic acentuou
o descompasso entre as condições de refinanciamento e a taxa de juros
básica. O saldo devedor das dívidas estaduais é atualizado pelo IGP-DI
mais uma taxa de 6% a 7,5% ao ano, número que somado supera a Selic,
hoje em 9,75%. O resultado disso é que, em termos nominais, o saldo
devedor da dívida consolidada dos estados pulou de R$ 100,4 bilhões, em
junho de 1998, para os atuais R$ 388,4 bilhões. “Muito se pagou da
dívida e pouco se conseguiu amortizar. Isso deve ser reestudado para que
os estados possam pagar sua dívida, amortizar esse passivo e viabilizar
investimentos”, disse o deputado Guilherme Campos (SP), líder do PSD,
também participante do grupo.
Outro motivo que estimula a negociação é o bom desempenho fiscal dos
estados, que vêm honrando os compromissos assumidos em 1998 e reduzindo o
endividamento, com a obtenção de superavits primários. Entre 2002 e
2011, a dívida líquida interna das unidades federativas caiu de 20,5%
para 11,4% do Produto Interno Bruto (PIB).
O último estímulo é a abertura política do Executivo para rever os
contratos. O movimento ainda não é explícito, como lembraram os
deputados do grupo de trabalho, mas a presidente Dilma Rousseff já teria
comentado com parlamentares próximos a disposição de rever os
contratos.
Dificuldade legal
Um dos obstáculos para a renegociação é a Lei de Responsabilidade Fiscal. O artigo 35 da norma proíbe a revisão dos contratos feitos com os estados. Por conta disso, Vaccarezza apresentou uma proposta de manter o pagamento mensal das dívidas, preservando a lei, mas reservar 50% do montante para investimentos estaduais em infraestrutura. Ele ressaltou que essa é apenas uma ideia a ser discutida, mas há na Câmara projetos nesse sentido.
Um dos obstáculos para a renegociação é a Lei de Responsabilidade Fiscal. O artigo 35 da norma proíbe a revisão dos contratos feitos com os estados. Por conta disso, Vaccarezza apresentou uma proposta de manter o pagamento mensal das dívidas, preservando a lei, mas reservar 50% do montante para investimentos estaduais em infraestrutura. Ele ressaltou que essa é apenas uma ideia a ser discutida, mas há na Câmara projetos nesse sentido.
Um deles é de autoria do deputado Vaz de Lima (PSDB-SP), outro membro
do grupo. O projeto 1675/11 autoriza a criação de um fundo para
investimentos em infraestrutura com receita proveniente dos juros pagos
pelos estados. Essa e outras propostas que tramitam na Casa deverão ser
analisadas pelo grupo de trabalho.
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ass. Angelo Roncalli
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